foto retirada
Um mês (já???)
O parto.
Dia 31 Março foi à última consulta no hospital, 41 semamas e um dia, marcaram-me a indução para o dia seguinte e o internamento nesse mesmo dia depois das 19 horas.
E lá fui eu as 19, com aquela sensação estranha que seria a última noite com a Flor na barriga, chorei todo o caminho.
Fui internada, fizeram CTG, deram clisters, falaram da indução para a manha seguinte, assinei o protocolo, conversei com a moça do lado e assim se passaram umas quantas horas.
Quanto me deitei e passado um pouco acordei cheia de dores pensei que estaria a sonhar, segundo me lembrava aquelas eram as dores das contraçoes, nem queria acreditar.
Comecei a contar e elas estavam de 5 em 5 minutos, eu muito espantada pois nunca pensei que iria acontecer naturalmente, eu estava ali para induçao não para entrar em trabalho de parto de noite.
Fiquei feliz e chamei a enfermeira que logo me viu e disse que iria já para baixo, pois já tinha 4 dedos de dilatação. E lá fui na bela maca.
Chegada ao piso zero por volta das 2 e meia da manha, lá veio a medica da epidural que teve imensas dificuldades em faze-la pois a minha coluna tem qq problema que até hoje não sei bem o que é. Mas depois de muito tentar la conseguiu (graças a Deus)
As dores abrandaram, liguei para a minha prima e para o papa e lá lhes disse que já estava por ali e que eles podiam vir, fartaram-se de rir pois não estavam nada à espera.
A minha prima foi a pessoa que escolhi para assistir ao parto, além da minha melhor amiga, tb é mãe e sempre quis assistir.
Ficou comigo, deu-me a mão, ajudou-me, falamos imenso, rimos, choramos. Ali estivemos horas. AS contraçoes vinham a epidural era reforçada e nada mais acontecia.
O dia chegou e chegaram os 7 dedos de dilatação e muitas dores e muitos reforços. Uma médica decidiu que deveria rebentar as aguas e apartir dai veio o terror. A dilatação regrediu até aos 5 dedos e ali ficou horas sem fim.
Muitas médicas passaram, outras tantas enfermeiras e nada acontecia, o mal estar era geral, ligaram entretanto a antena na cabeça da Flor, deram-me oxigenio e passaram a vir mais vezes ver-me. Nunca tive falta de assitencia.
A minha prima é psicologa, as 14 horas teria uma consulta importante, não podia faltar, perquntou quanto ainda ia demorar; a resposta foi uma hora ou um dia. Ela tinha mesmo que ir. O meu chão caiu, fiquei sem saber o que fazer, ela estava a ser uma companhia excelente, eu não conseguia ficar sozinha. A médica viu que eu estava em panico, pediu à psicologa do hospital para vir, mas eu disse que não, preferia então que viesse o pai.
Nunca quis que ele assisti-se, não é de meu agrado, para ele também não. Mas senti que tinha que ser, e ele lá veio.
As 14 horas ali estavamos os dois, eu comecei entretanto a vomitar, senti que algo que não estava bem, senti-me mal. Lá vieram ver-me e confirmam que ela cada vez está mais subida e torta, numa posição dificil e a dilatação quase parada.
No meio disto tudo a epidural foi sempre reforçada. As dores nem eram muitas, o desconforto da posiçao dela era tremendo e eu sempre a pedir um médico para fazer cesariana pois sentia-me sem forças , incapaz sequer de respirar.
Deram-me algodão com agua para refrescar, colocaram musica, mudaram-me de posição 1000 vezes, viram-me outras 1000
Quando mais tempo passava pior eu estava, e claro ele também. O vomito era imenso, os sacos eram mudados, eis que a Flor fez o tal de meconio e tudo de volta de nós novamente. Mais um saco ligado a mim, um liquido qualquer para limpar a miuda lá dentro. Eu a passar-me da cabeça. Fez 3 sacos de liquido e saiu sempre o coco verde. Eu olhava para baixo e só via o coco a sair. Estive sempre argaleada (não sei como se escreve), antes disso nem sei quantas vezes fiz xixi na arrastateira.
Por volta das 17 horas chegou um médico, homem, e finalmente percebi que algo ia mudar. Ele viu o processo e disse para a enfermeira; já chega de sofrimento, esta mãe tem que parir já.
E assim foi, ajudou-me em seco a fazer força, com as mãos dele ajudou a dilatação a chegar aos 8 dedos e depois pediu a ventosa para ajudar a cabeça a posicionar-se.
Por ali andou, tentou não sei quantas vezes e eu só ouvia o barulho dos instrumentos.
Lá conseguiu e depois vieram os ferros. Nunca pensei passar por esta terrivel experiencia, mas assim foi. Passados uns minutos a Flor veio ao mundo, cheia e sangue e coco verde. Apenas a vi uns segundos e nem sequer a carinha a pode ver, totalmente diferente da Patuxa que fiquei com ela imenso tempo.
Chorei, senti o calor dela e fiquei feliz e esqueci as 15 horas que ficaram para tras.
Levaram-na logo, o pai estava com lágrimas nos olhos. Se não fosse ele eu acho que não tinha conseguido as ultimas forças, valeu a pena ele ter ficado, foi um excelente companheiro.
Depois veio o cozer da situação, dos estragos que foram imensos. Refez o corte anterior que estava desfeito, fez os dois novos e ainda tive direito a dois pontos no clitoris, também esse ficou mal tratado.
Tive muitas dores, muita sede, muita fome, foi muito mas muito dorido, nada comparado com a Patuxa que tinham sido 5 horitas. Mas a vida é assim, se me perquntarem se passava por tudo outravez eu apenas respondo: SIM, faria tudo de novo, acho que como todas as mães.
E foi assim o parto da Flor