Ontem tivemos no final do dia a visita de um casal amigo lá em casa, tiveram uma bebe linda à um mês e aproveitaram para ir mostra-la e ver a nossa maison.
A bebe é linda linda (que saudades de um bebé), é um casal interessante, ela tem 36 e ele 62. Aproveitei e emprestei as roupinhas todas e brinquedos que já não dão para as minhas.
Mas o que mais marcou a visita foram os comentários do casal:
- Zé, como é que tu podes pensar em ter uma casa deste tamanho se não tens empregada?
- Zé como é que queres que a Maria faça tudo se trabalha até às 18 e tem as miúdas?
- Zé, é tudo muito giro mas enorme
- Zé, pensa nisso, não pode ser...
Eu, como o meu ar de empregada doméstica, ou seja, toda emarrotada, com roupa de andar por casa, com o cabelo que não ve escova nem creme á sei lá quantos meses, com a pele na última, com o cansaço estampado no rosto apenas me apetecia chorar...
Pois...talvez seja mal agradecida (como ele diz) talvez seja...
Mas sinto a minha vida presa, sinto a Patuxa com tantas dificuldades, sinto a falta de tempo para tudo e sobretudo para ela e para mim.
A Flor está bem, não dá trabalho nenhum, mas a mais crescida sente o stress, sente a minha falta, noto isso em cada conversa. Fala nas idas à praia, nas férias que tivemos, sente falta...e eu também... Mas pronto...o pai prefere a casa grande a tirar uns dias longe só com elas e sem nada para fazer.....
Estou feliz com a casa, não é isso que está em questão, mas ninguém me perquntou se eu queria, ninguem se preocupa com a falta de qualidade do tempo com as minhs filhas, apenas querem ter..ter...Sou mal agradecida, sou.
Quero ir à praia como as outras pessoas, estou farta da piscina da sogra, estou farta dos almoços na sogra, quero ir ao restaurante, estou farta de ir a Viseu quero ir para outro sitio qualquer, quero que elas vejam o mundo e não só os avos e 2 tios, estou farta deste aperto no coração de ter que viver a vida que eles querem...porra
Até já.